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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pequena Análise do Demo de Mortal Kombat 9

Uma das maiores franquias de jogos de luta terá sua nova versão lançada no próximo 19 no EUA e no próximo dia 28 no Brasil. Famoso por sua violência o jogo em geral é permitido apenas para maiores de 18 anos na maioria dos países e em alguns, como a Austrália, já foi totalmente banido.

Falsos moralismos a parte, o jogo tem vários pontos bastante divertidos e outros que continuam a mesma tranqueira: Uppercuts, Voadoras e salto com soco são iguais ou nos melhores casos, muitíssimos parecidos para TODOS os personagens. Aquela alma única, da ponta do pé até a raiz do cabelo, que cada personagem de um bom jogo de luta deve possuir não existe em MK9. Várias coisas são diferentes, mas golpes básicos deveriam ser diferentes também, se os personagens são diferentes, possuem histórias diferentes e aprenderam artes marciais diferentes, seus golpes básicos teriam de ser diferentes também. Nos vídeos abaixo é possível ver como os Uppercuts de dois personagens tão diferentes são realmente muito parecidos.

O gráficos estão belíssimos e de quebra os personagens vão se deteriorando durante as lutas conforme vão apanhando. A Inteligência Artificial parece relativamente fraca em comparação com outros jogos de luta, no segundo vídeo é possível ver como ela não faz a personagem escapar dos agarrões (movimento em que o Subzero crava a uma espada de gelo no peito da Mileena). Mesmo jogando no modo Muito Difícil consegui "acabar" o demo de primeira utilizando apenas soco e chute e alternâncias entre eles, depois aprendi os especiais e comecei a perder. :p

Outro diferencial desta versão de Mortal Kombat são os golpes Raio-X. Quanto mais um personagem apanha mais a barra na parte inferior da tela se enche, quanto ela está cheia é possível executar o golpe Raio-X. Para TODOS os personagens deve-se apertar R2+L2 para que o personagem execute o golpe que tira uma quantidade bastante grande de energia do oponente quando este não se esquiva ou o defende.

O recurso do dos golpes Raio-X é muito legal mas particularmente achei bastante apelativo pois ele claramente imita os Ultracombos que Street Fighter possui há anos, porém com a tosquice de ter de se apertar apenas dois botões para que o golpe seja efetuado, os mesmos dois botões para TODOS os personagens. Certo, eles querem que jogadores sem muita habilidade possam dar os golpes Raio-X e assim o jogo se tornar mais popular e vender mais, mas isto faz com que a alma de cada personagem se esvaneça como se estivesse sendo roubada por Shang Tsung. Ademais, um golpe fácil de disparar e que tire tanta energia pode permitir a vitória por virada de muitos jogadores fracos sobre mais fortes, algo como o baita desequilíbrio do Sagat no Street Fighter IV que na minha opinião figura entre as maiores rateadas da Capcom. O "diferencial" é que este desiquilíbrio se aplica a TODOS os personagens em MK9.

O Fatalities estão muito violentos, como é possível ver no final dos vídeos abaixo. Confesso que fique bastante impressionado com o trailer anunciado na E3 do ano passado ao ponto de considerá-lo violento demais. Depois me dessensibilizei e decidi baixar o demo e jogá-lo e depois decidi fazer esta pequena análise e gravar os dois vídeos abaixo.

Resumo da história: MK9 é muito bom, continua com algumas falhas/características clássicas, mas não irei comprar o jogo. Enquanto 2012 não traz Street Fighter versus Tekken vou seguir jogando Street Fighter IV e Super Street Fighter IV. Para quem é fã da série Mortal Kombat tenho certeza que o jogo valerá o investimento.

PS. O gráfico do jogo é bem melhor do que aparece nestes vídeos.

PS2. Tem um vivente, Brasileiro, que andou fazendo o upload de vídeos da versão final do MK9 para o seu canal do Youtube e provocou a ira do produtor do jogo, Hector Sanchez: "Todo este trabalho que temos feito no que diz respeito ao mercado brasileiro já está arruinado. Estou decepcionado", se ele acha que vídeos do jogo na Internet podem arruinar as vendas, eu acho que ele está enganado, se o jogo é bom as pessoas vão comprar, eu mesmo assisti muitas horas, seguramente mais de 10, de lutas de Street Fighter IV antes de comprar o PS3 e o jogo. Que é lamentável que alguém roube o jogo final e divulgue é, mas isto por si só ter poder de arruinar as vendas é difícil, ainda mais com sistema anti-pirataria do PS3 funcionando tão bem.

PS3. Para quem quiser me seguir no twitter: @josue_freitas.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A volta da censura ?

Imagine uma lei que vise punir com um a cinco anos de reclusão e multa para todo aquele que "fabricar, importar, distribuir, ter em depósito ou comercializar filmes ofensivos aos costumes ou às tradições dos povos, bem como a seus cultos, credos, religiões ou símbolos".

Uma lei desta me parece um claro entrave, uma clara censura a esta indústria, castrando-a de liberdade artística e fazendo que todos aqueles que pretendam seguir nesta área tenham que fazê-lo sobre a tutela do medo. Medo de que uma ordem judicial possa a qualquer momento decidir que aquilo que você produziu é de alguma maneira ofensivo aos costumes ou às tradições dos povos, seus cultos, credos, religiões ou símbolos.

Mais chocante do que ser obrigado a criar sua arte sobre a mira de uma possível decisão judicial é o fato do proponente desta lei, um Senador que acaba de ser reeleito, ter admitido que não tem o costume de olhar filmes e não saberia dizer quais filmes se enquadrariam nesta lei. Assim sendo, eu me pergunto qual o conhecimento tem o proponente sobre esta área ao ponto de propor uma lei restringindo-a severamente se este não é um participante da mesma ?

Esta mesma lei permite também que "o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: a) o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo; b) a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas". Este último trecho me lembra uma época remota de nosso País onde a liberdade artística e de expressão não era nada bem vinda.

Para completar, esta lei, criada em 2006, recebeu no dia 20/12/2010 um parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Destaco o seguinte trecho do relatório:

"Pesquisas realizadas em 1999, nos Estados Unidos, e apontadas por Vítor C. Strasburger em “Os adolescentes e a mídia: impacto psicológico”, registram que, embora a violência na mídia certamente não seja a causa principal da violência na vida real, ela é um fator significativo (citado por Lynn Rosalina Gama Alves, em “Jogos Eletrônicos e Violência: Desvendando o Imaginário dos Screenagers”).

A violência nos meios de comunicação pode facilitar o comportamento agressivo e anti-social, diminuir a sensibilidade dos espectadores em relação à violência e aumentar sua percepção de viverem em um mundo mau e perigoso."

Aos políticos que criaram este projeto de lei e aos que emitiram pareceres favoráveis eu vos pergunto: "Como pode um parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania citar apenas UMA referência científica para contribuir no embasamento para aprovação de um projeto lei ? Como pode esta Comissão conter a palavra Cidadania se os cidadãos diretamente envolvidos, produtores e consumidores desta indústria, não foram ouvidos ? O que é mais ofensivo: o Estado me dizer que é ofensivo através de uma lei onde seu criador aparentemente não possui embasamento para criá-la ou um filme em que posso simplesmente não assisti-lo por me ser ofensivo ?"

Gostaria de ouvir as respostas. Em tempo eu sinto que são projetos de lei como este que fazem aumentar a minha percepção de que vivo em um mundo mau e perigoso, muito mais que qualquer meio de comunicação ou mídia já me fez sentir.

Felizmente para os cinéfilos, e infelizmente para todos usuários de jogos eletrônicos (videogames) e toda a jovem indústria de jogos do Brasil, esta lei não se aplica a filmes e sim a videogames.

É com o mesmo inconformismo que um cinéfilo deve ter sentido no decorrer deste texto que eu escrevo este texto. Sou um mero jogador mas não consigo ficar parado perante isto.

Os jogos lutam para que venham a ser reconhecidos como arte assim como o cinema lutou em seus primórdios. Para quem dúvida que sejam realmente uma arte, recentemente a revista norte-americana Time comparou o jogo 'Alan Wake' a filme de Hitchcock para citar apenas um exemplo.

Obviamente os Senadores e Senadoras que apoiam esta lei devem ter pensado duas vezes em fazê-la aplicável aos filmes, pois desta maneira teriam toda uma enorme legião de atores, diretores e produtores realizando pressão pública através de seus espaços junto a imprensa. Nós, nerds, programadores, desenhistas, jogadores, não temos o mesmo espaço junto à imprensa, então pedimos a você, amante da sétima arte, que também nos ajude a divulgar esta mensagem.

Se não existem leis que restringem de maneira semelhante filmes e livros, e espero que nunca existam, não é justificável que haja tal lei apenas para jogos eletrônicos.

Queremos poder escolher qual jogo iremos jogar da mesma maneira que escolhemos qual filme assistir ou qual livro ler. Não queremos que o Estado faça isto por nós. Simplesmente queremos o direito de decidir aquilo nos é ofensivo ou não, e, como todos devem concordar, a violência do mundo real é infinitamente mais ofensiva que a violência do mundo virtual.

Hoje são os jogos eletrônicos que o Estado quer ter o poder de banir e amanhã o que será ? Filmes ? Livros ? Pinturas ? Programas de TV ? Notícias ?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mironeando



O pintor catalão Joan Miró é um daqueles artistas especiais que me envolvem em fascínio. Conheço sua obra há muito tempo, e cheguei a estudá-la há uns dois anos atrás. Sinto em sua pintura um frescor infantil que se deixa envolver pelo traço e pelo pincel apurado, num envolvimento despojado, mas ao mesmo tempo elegante. Essa elegância, entretanto, é também deselegante, mas há, contudo, um certo tipo de charme burlesco nessa contradição - uma quase brincadeira, afinal, com a irregularidade, ou, com a realidade espontaneamente imaginada. Miró é o pintor da espontaneidade do sonho, da surpresa e, por isso, da vivacidade.



Parece ser uma tendência incoercível do pintor elaborar relações de cores, especialmente as chamadas "quentes". Em conjunção, essas cores produzem um resultado que, à visão, é irresistível. Há uma relação especial entre o olhar e a cor, e Miró soube como poucos explorar esse aspecto. Parece muito simples alcançar um resultado vivaz optando por cores quentes, mas tente fazer isso em sua casa. Para Miró não importa a especificidade da cor, mas a relação que ela irá estabelecer para com todos os elementos circunscritos, entre eles as demais cores. É o que podemos chamar de colorido, no sentido mais vigorosamente lírico do termo.



Outros elementos peculiares em Miró são as formas de seus trabalhos, que estão entre as mais singelas que conheço em pintura. Disso, além das cores, resulta um frescor infantil saboroso à experiência visual, o que torna a obra desse pintor quase sinestésica. Na maioria das vezes desenvolvidas pelo traço, as formas mironeanas representam elementos típicos de um universo ao mesmo tempo ínfimo e espetacular - e quase sempre aéreo. O ar é sem dúvida o chão de Miró. Seu cromatismo e geometria surreais parecem fluir espontaneamente de alguém que, paradoxalmente, sonha acordado.



O arrojo lírico com que Miró trabalha suas cores e suas formas lembra-me imediatamente Manoel de Barros, que concebe uma disposição sígnica propositadamente irregular com um valor de significação muito parecido com o do pintor espanhol. Ambos, em suas linguagens, propõem uma poética de criançamento de valores - um depois e o outro antes da realidade, ou tudo ao mesmo tempo. Suas imagens surpreendem, lembram a vivenciação de uma criança. E da surpresa só pode restar a energia da vivacidade - especialmente quando trata de aspectos que foram marcantes em nossos sonhos infantis, e que descobrimos pela linguagem de nossos sentidos e pela força (re)criadora de nossa imaginação.



Se Miró é surreal, no sentido estrito do termo, digo que é muito bom o seu sono.






domingo, 7 de março de 2010

O abstrato, Pollock e outras miragens



Sou um admirador da arte abstrata e, em especial, do pintor americano Jackson Pollock.



A linguagem abstrata representa, para mim, uma ampla possibilidade de comunicação semiótica, que não parte de nenhuma conceituação pré-estabelecida. Pelo contrário, sinto-me à disposição da arte para com ela estabelecer uma relação de amplitude sígnica.

Estar diante de signos não conceituais me leva a uma contemplação meditativa. Tudo se amplifica. O abstrato me integra, me simplifica.

Não penso quando estou diante de uma obra abstrata. Se pensar, é miragem. Entretanto, há uma repercussão, mas não em nível racional. Difícil dizer do que se trata essa repercussão. É possível que ela esteja envolta em uma consciência não verbalizável.



Foi Jackson Pollock quem me levou pela primeira vez a essa vivência, e acho que é por isso que admiro tanto a sua obra. Seria perfeito se pudesse contar com um exemplar ao alcance diário da minha visão. Quem sabe um dia. Só sei que foi, como diria Manuel Bandeira, o meu primeiro alumbramento em pintura. O que para muitos é apenas um amontoado de riscos que qualquer criança faria, para mim é algo indescritivelmente profundo. Seria muito bom se todos pudéssemos evocar tantas significações subjetivas simplesmente através de um breve recolhimento em que produzíssemos algo que acreditássemos como um amontoado de riscos.



A arte abstrata é o ventre escancarado de uma alma - e é impossível para mim passar em branco diante de tal hemorragia de signos. O abstrato se transcende e se une a seu observador como em uma interação cósmica.



Pode ser muito bom ter visão.




Obervação: todas as imagens são reproduções pictóricas de obras de Jackson Pollock, nascido em 1912, no Wyoming, Estados Unidos, e falecido em 1956, em um acidente de carro. Pollock é conhecido por desenvolver a técnica chamada dripping e a action painting, em que projetava sua arte a partir de uma primeira sugestão produzida pelo gotejar da tinta e seu escorrimento natural pela tela. Uma boa dica aos interessados é assistir o filme Pollock (Pollock, 2000), dirigido e estrelado pelo ator Ed Harris.